Sintra at dawn: a hiking story

(please scroll down for english version)

Sintra de madrugada: história de uma caminhada

Lembram-se do desafio de acordar cedo? Desta vez decidi fazê-lo no fim-de-semana, e por uma boa causa: caminhar! A ideia não era ir a nenhum sítio longe, mas queríamos começar de madrugada para ver o nascer do sol.

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Já referi algumas vezes que adoro caminhadas, mas mais do que isso adoro caminhadas que começam de madrugada! É algo que me dá uma tal sensação de felicidade e de pertença, que dificilmente é descritível por palavras. Bem sei que se caminharmos em plena luz do dia, o sol dá um brilho mais luminoso às coisas; se caminharmos ao pôr do sol, temos as maravilhosas cores do ocaso; mas para mim nada bate a tranquilidade delicada da madrugada. Talvez seja a oportunidade de assistir ao nascer do dia, à passagem lenta das formas indistintas da noite para as cores vibrantes que a luz do sol desperta. Talvez seja apenas o som particular do silêncio da madrugada; ou as suas cores suaves que mais nenhuma hora do dia consegue igualar. Não sei exatamente o que é, mas seduz-me.

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Poesia à parte, programámos o alarme para as 5:00, e em menos de 30 minutos estávamos a caminho de Sintra, o local escolhido para a nossa caminhada. Quando saímos de casa estava escuro como o breu, e apesar da previsão meteorológica apontar para um dia quente de Verão, Sintra tem o seu próprio microclima, pelo que que víamos à distância um capacete de nuvens a pairar à volta da serra. Ainda não eram 6:00 quando chegámos ao nosso ponto de partida: a Lagoa Azul, em frente ao Penha Longa Resort. O ar estava frio e uma fina camada de nevoeiro recriava o cenário perfeito para dar vida aos mitos e lendas que habitam Sintra desde tempos antigos.

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Não começámos logo a caminhar. Sentámo-nos à beira da lagoa para tomar o pequeno-almoço e disfrutar da serenidade do local. O céu ainda estava escuro, a luz fraca conferia a todas as coisas vários tons de cinzento; mas sob o manto diáfano da escuridão já se adivinhavam as formas suaves das árvores à volta da lagoa. Patinhos nadavam alegremente, aparentemente satisfeitos com o ar fresco e a quietude da hora. Lentamente os nossos olhos habituavam-se à obscuridade, ao mesmo tempo que esta ia dando lugar ao nascer do dia. Estava na hora de começar a andar.

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Seguimos o trilho pela mata. Apesar de ser uma subida inclinada, mantive o casaco vestido, pois o ar continuava frio. A bruma também continuava a pairar por entre as árvores; não se dissiparia até o dia estar bem avançado. De vez em quando sentíamos salpicos de água nas faces; a princípio pensámos que estava a chover, mas depois percebemos que era apenas o vento a sacudir gotas das folhas das árvores. Sintra realmente tem um microclima próprio; só isso permite manter a humidade suficiente para que fetos cresçam em pleno Agosto, quando a menos de 20 km de distância se levanta um dia escaldante de praia.

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O trilho levou-nos até ao Convento dos Capuchos, e depois à Barragem do Rio da Mula. Aí parámos uns momentos para apreciar a paisagem e comer um snack. Para nós o dia já parecia ir a meio, mas na verdade eram 8:00. A partir dessa altura começámos a cruzar-nos com várias pessoas, que faziam a sua corrida matinal ou passeio de bicicleta. A última parte do percurso, que ia da Barragem do Rio da Mula de volta até à Lagoa Azul, era a mais inclinada. À medida que subíamos, conseguíamos ver a costa à distância, onde um céu azul e brilhante contrastava com as nuvens pálidas sobre as nossas cabeças, que nos mantinham ao abrigo de um calor extremo.

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Eram 9:00 quando estávamos de regresso ao ponto de partida. Completámos o percurso de 12km em cerca de 3 horas. Globalmente é um percurso fácil, mesmo no coração de Sintra, o que nos permite estar em contacto íntimo com a natureza luxuriante da mata. Mais duas boas razões para fazer este percurso de madrugada são: evitar o pico de calor, e quando terminámos ainda tínhamos o dia inteiro pela frente 😉

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Sintra at dawn: a hiking story

Do you remember the wake up early challenge? Well, this time I did it on the weekend, and for a good reason: to go hiking! We didn’t go anywhere far away, but we wanted to start at dawn in order to watch the sunrise.

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I have mentioned before that I love hiking, but more than hiking I love hiking at dawn! It gives me such a sense of happiness and belonging that words fail to explain it properly. It’s true that if we go in full day light, the sun is shining and colors are bright; if we go at dusk, we have the beautiful colors of sunset; but for me nothing beats the delicate stillness of dawn. Maybe it’s the chance to witness the day slowly rising, from the indistinct shapes of night, to the vibrant colors that sunlight awakes. Maybe it’s just the particular sound of silence that dawn produces; or its pale colors unmatched by any other hour of the day. I can’t tell what it is, but it charms me.

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Poetry apart, we set the alarm for 5am, and in less than 30 minutes we were heading to Sintra, our chosen hiking spot. It was pitch dark when we left home, and although the weather forecast announced a hot summer day, Sintra has a microclimate of its own, so we could see from afar an helmet of clouds hoovering around the mountain. It was not yet 6 am when we arrived at our starting point, the Blue Lagoon, opposite to Penha Longa Resort. The air was chill, and the thin layer of mist recreated the perfect ambiance to bring to life the myths and legends that inhabit Sintra since ancient times.

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We didn’t start walking right away. First, we sat by the lagoon to eat our breakfast and enjoy the calmness of the scene. The sky was still dark, the dim light casting everything in hues of grey. But beneath the shallow darkness, our eyes could already guess the soft shapes of trees around the lagoon, and the brilliance of the water. Ducklings were swimming around, clearly enjoying the cool air and the stillness of the hour. Slowly our eyes grew used to the sparse light, at the same pace that the light grew brighter itself. It was time to start walking.

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We followed the trail among the woods. Although it was sloping up, I kept my jacket on for the air was still chilly. The mist kept hanging among the trees; it would not be dispelled until the sun was quite high. Every now and then we felt sprinkles of water in our cheeks; at first we thought it was raining, but then we realized it was just the wind blowing drops from the tree leafs. Sintra really has a whole microclimate of its own; only such humidity would allow ferns to grow in August, when a beach-like hot Summer day is settling less than 20km away.

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The trail took us to Convent of Capuchos, and then Barragem do Rio da Mula. There we stopped for a while to behold the magnificent view and eat a snack. For us it seemed like half of the day had already passed, but in fact it was only 8am. By then we started crossing paths with other people, who were doing their morning run or bike ride. The last stretch of the trail was the steepest, going from Barragem do Rio da Mula back to the Blue Lagoon. As we climbed, we saw the coast in the distance, where a clear blue sky was glowing in contrast with the pale clouds above our heads, sheltering us from the extreme heat.

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It was 9 am when we were back at the starting point. We completed the 12km trail in about 3 hours. Overall it’s an easy trail, right in the heart of Sintra, which allows us to feel immersed in the beautiful lush green woods. Two more good things about doing this hike at dawn is that we dodged the peak of heat, and when we finished we still had the whole day ahead of us 😉

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